Todos cantamos no banho pelo menos uma vez na vida. “E, se todos cantamos no banho, porque não ver músicos a fazê-lo?”, questiona Carolina Caldeira. Foi para responder a esta questão que a madeirense de 30 anos decidiu criar o Bathstage, um canal online de vídeos de músicos a tocar numa banheira. 

Com um tom “mais intimista” e distante da música “massificada” dos festivais e grandes arenas, o projecto quer aproximar os artistas do público que vê os vídeos. Um pouco como a La Blogothèque teima em fazer ou, por cá, a Videoteca do portal Bodyspace. O espaço limitado, diz Carolina ao telefone com o P3, “acaba por ser um desafio para os músicos e leva-os a criar conteúdo único e personalizado”. Muitos adaptam as canções ao espaço peculiar, criando novas versões, o que muito alegra a fundadora.

Até agora foram filmadas oito sessões, sobretudo em Lisboa, onde Carolina vive, protagonizadas por artistas como Francis Dale, César Lacerda ou ca•ta•ri•na. Os músicos têm recebido a ideia de braços abertos, intrigados com o formato de “um artista (ou banda), uma música, uma banheira”. Alguns chegam até a perguntar se “têm de ir preparados para se despirem”, conta Carolina, que também acumula a função de directora artística do projecto. 


Carolina Caldeira (em cima, à esquerda) e a restante equipa do Bathstage com ca•ta•ri•na.
Tiago Charrua e Marcel Favery

A procura por palcos é feita através de um “scouting independente e autónomo”: “Sempre que vou a algum lugar, penso como será a banheira. Penso muito em banheiras.” Até agora, os episódios foram gravados em alojamentos locais, na “casa da tia de alguém” ou em banheiras de restaurantes — foi o que aconteceu no Brasil, onde Carolina encontrou “muitos restaurantes construídos em moradias”.

É muito tempo “a olhar para banheiras”

Carolina Caldeira trabalhava num hotel da Baixa de Lisboa quando tudo começou. Entre outras tarefas, substituía a governanta na verificação das limpezas dos quartos. Resultado disso, passava “muito tempo a olhar para banheiras”. Um dia, algures durante Outubro de 2015, teve uma ideia: porque não colocar músicos dentro delas?


O português Francis Dale a tocar dentro de um poliban
Tiago Charrua e Marcel Favery

A ideia ficou em banho-maria até Julho de 2016, um mês depois de ter terminado um curso de criatividade publicitária. Nesse Verão, filmava-se a primeira bathstage session com as Golden Slumbers a ir a banhos num hotel onde Carolina trabalhava. A publicação do vídeo no Facebook atraiu a atenção da Uniplaces, que a convidou para organizar um festival baseado em actuações em banheiras, que viria a acontecer em Novembro, numa residência universitária em Lisboa, integrado na programação paralela da Web Summit.

O projecto acabou por não ter o impacto esperado e Carolina, depois de ter não ter encontrado apoios e patrocinadores, viu-se obrigada a interrompê-lo em 2017. Além disso, não tinha equipa para gravar novas sessões. Tudo mudou no ano seguinte, quando conseguiu reunir algumas pessoas para colaborarem no projecto. E, por fim, as gravações arrancaram. O primeiro vídeo desta nova vida foi publicado no canal de YouTube em Maio deste ano — o protagonista é Zé Manel, vocalista dos Fingertips, que se voluntariou para participar no projecto. Aliás, qualquer banda pode candidatar-se para ser filmada numa banheira: basta enviar um email para [email protected]. O mesmo endereço está à disposição para quem quiser propor a sua banheira como palco. 

O Bathstage também já atravessou o Atlântico. Em Março, Carolina esteve uns tempos no Brasil, mais precisamente em Curitiba, a trabalhar numa produtora de música, que ao saber do conceito quis divulgar artistas locais. Foram gravadas as actuações de Plata o Plomo, Lucas Lepca e Raissa Fayet & Du Gomide. Foi tudo “muito orgânico”, descreve Carolina Caldeira. Os artistas brasileiros até mostraram “menos barreiras” do que os portugueses: “Querem é continuar a espalhar a mensagem da música. Não querem saber quem faz parte do projecto, não fizeram perguntas e quiseram logo participar.”


Agora, o Bathstage vai entrar numa fase de reestruturação. A equipa, actualmente de 14 elementos, todos a trabalhar de forma voluntária, quer tentar perceber o que se segue. Não há nada definido, a não ser o alargamento do projecto ao resto do país. Logo se verá se numa “nova temporada” de vídeos ou em concertos abertos ao público. Em “cima da mesa” está também a possibilidade de replicar o projecto noutros países. Afinal, “há banheiras em todo o lado”. 






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