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Crise não abala a Louis Vuitton que reforça aposta no “made in Portugal”

Crise não abala a Louis Vuitton que reforça aposta no "made in Portugal"

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Crise não abala a Louis Vuitton que reforça aposta no “made in Portugal”

Atepeli, Lda / Facebook
Atepeli abre fábrica em Santa Maria da Feira para produzir para a Louis Vuitton.
A marca de luxo Louis Vuitton reforçou o seu investimento em Portugal, com a abertura de mais uma fábrica para a produção de componentes de sapatos em Santa Maria da Feira. A empresa mantém a confiança na qualidade do made in Portugal numa altura em que está a investir também na expansão na China.

A Louis Vuitton já tinha fábricas em Portugal, em Ponte de Lima, em Lousada e em Penafiel, mas vai instalar-se agora em São João de Ver, no concelho de Santa Maria da Feira.
A marca de luxo trabalha com o Atepeli – Ateliers de Portugal, Lda que produz especificamente para a Louis Vuitton e que está em fase de instalação na nova fábrica.
“Recentemente terminou o período de formação inicial do primeiro grupo admitido no novo atelier de Santa Maria da Feira, para produção de componentes de calçado”, revela a Atepeli nas suas redes sociais.

“São as primeiras 15 pessoas, um dia seremos mais de 200“, afiança a empresa que está a contratar trabalhadores “com experiência em costura de calçado”.

O valor do investimento da Louis Vuitton em Santa Maria da Feira não foi revelado.
O presidente da Câmara de Santa Maria da Feira, Emídio Sousa, revelou ao Dinheiro Vivo que não tem conhecimento do valor investido, mas considerando o terreno, a construção e o equipamento necessário, “estaremos sempre a falar, grosso modo, em qualquer coisa como 10 milhões de euros“, avalia.
A marca de luxo investiu 6,5 milhões de euros na unidade de Penafiel, a mais recente que abriu em Portugal.
A escolha de Santa Maria da Feira para abrir mais uma fábrica pretende aproveitar a tradição que o concelho tem na indústria do calçado.
Wuhan foi escolha simbólica e nada inocente
A líder mundial da indústria de luxo escolheu a cidade de Wuhan, onde terá tido origem a pandemia de covid-19, como ponto de partida para a sua exposição itinerante pela China intitulada “See LV”.
A exposição faz uma retrospectiva dos 160 anos da marca parisiense com o intuito de mostrar a sua autenticidade para agradar ao público fiel e para conquistar novos consumidores.
Wuhan foi uma escolha simbólica, visando reforçar a estratégia de expansão da marca na China.
Oficialmente, a Louis Vuitton refere que Wuhan foi escolhida pelo seu “património histórico e cultural rico” e pela “força” empresarial por ser “uma das maiores cidades da China”.
Mas a escolha de Wuhan é uma mensagem de confiança da marca no mercado chinês, numa altura em que o mundo ainda se debate com a pandemia.
Com as vendas a decrescerem noutros países devido ao confinamento e à pandemia, o grupo francês tem expectativas de que o mercado de luxo cresça na China cerca 30% só até ao fim deste ano. Assim, está empenhado em reforçar os bons resultados no mercado asiático.
Estudos realizados antes da pandemia estimavam que, até 2025, a maioria dos consumidores chineses do segmento de luxo compraria os seus produtos preferidos no interior da China. A crise de covid-19 deverá reforçar essa tendência.
“Pandemia reforçou as marcas mais fortes”
Apesar da crise pandémica, o grupo a que a Louis Vuitton pertence, o LVMH, conseguiu limitar as perdas, com uma redução das vendas inferior ao que estava previsto no terceiro trimestre do ano. A queda foi de apenas 7% quando as expectativas eram de 12%.
Além disso, o grupo registou uma recuperação visível na Ásia, com um aumento de 13% nas vendas fora do Japão.
“Estes números mostram, claramente, que o apetite pelos produtos de luxo não desapareceu com a crise de covid-19″, salienta uma análise do banco de investimentos Bryan Garnier.
“Acreditamos mesmo que a pandemia reforçou as marcas mais fortes e as mais icónicas em detrimento das mais pequenas”, realça ainda a instituição financeira.
A Louis Vuitton mostra a sua resiliência em tempos adversos, também numa altura em que a sua imagem ficou abalada depois da suspensão controversa do processo de aquisição da joalharia norte-americana Tiffany por 16 mil milhões de dólares.


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