As críticas estão lá todas – do Governo à oposição, e sobretudo ao PSD, o partido de que já foi vice-presidente mas quando o líder era Pedro Passos Coelho. Por isso – e por ter sido apoiante de Pedro Santana Lopes -, Carlos Carreiras não se coíbe de fazer um ataque demolidor ao seu partido num artigo publicado nesta quarta-feira no jornal i.

“O PSD está há muito em greve de combate político. Claramente, não está a cumprir os serviços mínimos. Temo que a situação já só se componha com uma requisição civil convocada pelos militares”, escreve o presidente da Câmara de Cascais.

“Abram alas a António Costa, em velocidade de cruzeiro para uma vitória esmagadora em Outubro. O poder absoluto da maioria socialista contrasta com a absoluta inoperância da oposição”, afirma, depois de antever que a greve dos motoristas de matérias perigosas irá acabar em breve com uma vitória política do Governo. “Não falta muito para António Costa começar a pressionar publicamente a Antram para se sentar à mesa e conseguir um acordo”, afirma – o que já aconteceu na noite de terça-feira, pela voz do ministro Vieira da Silva.

“Costa não precisa que a situação se degrade ao ponto em que o dedo acusatório dos portugueses procure o Governo; Centeno vê com bons olhos os milhões extra que hoje moram nos rendimentos não declarados pelos motoristas; a oposição, a custo, lá vai interrompendo as férias para ir ao Twitter elogiar o Governo; a Antram faz o frete ao PS; os motoristas, no fim do dia, vêem algumas das suas reivindicações satisfeitas e saem do processo numa posição melhor do que aquela em que entraram. Ou me engano muito ou é assim que a situação vai evoluir nos próximos dias”, prevê Carlos Carreiras.

O social-democrata critica o facto de o Governo andar há dias a “ameaçar o direito à greve”, há semanas a “preparar uma gigantesca operação de propaganda” e há anos a “prometer tudo a todos”, o que o faz responsável por “um clima em que todos acham que podem legitimamente ter tudo”. O problema é que perante este cenário os partidos da oposição, “como fidalgos à espera das migalhas da mesa do rei, baixam a cabeça”, ironiza.

Além de considerar que o PSD está em “greve de combate político”, Carreiras critica o actual vice-presidente David Justino que, na ausência de Rui Rio em férias, escreveu no Twitter que Costa “transforma uma ameaça em oportunidade”, demonstrando que o partido foi “politicamente inapto a fazer oposição” e que tal atitude da direcção social-democrata só ajuda a que o PS tenha mais votos em Outubro.

Carlos Carreiras também critica a forma como o CDS e os partidos à esquerda do PS estão a reagir às questões suscitadas pela greve dos motoristas. Os centristas desapareceram do mapa político nos últimos dias e estão com uma “anemia galopante”; o PCP “está em coma”, incapaz de responder ao “maior ataque ao direito à greve a que o país assistiu nas últimas décadas”, arriscando pôr em causa a liderança de Jerónimo de Sousa; e o Bloco, o partido “com a espinha mais torcida da política portuguesa”, mantém-se em silêncio, com o “cinismo e incongruência de sempre”.






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